Cada vez mais mulheres praticam essa modalidade, dominada por homens.

Mulheres que jogam sinuca ainda são consideradas vulgares? Não pela maioria. No Brasil, as mulheres iniciaram as tacadas timidamente, acompanhando namorados e amigos em bares e salões especializados. Hoje o nível técnico atingido é o mesmo dos profissionais masculinos, com prêmios menores nos eventos em função de, por enquanto, ainda estarem em inferioridade numérica. A empresária de Rio Preto Meire Caprio, 34 anos, gosta mesmo é de romper tabus.

Ela jogou por dois anos profissionalmente e hoje dá algumas tacadas, mas só por prazer. “Eu sempre fui muito encantada com a sinuca. Eu esperei crescer para ter tamanho e poder alcançar a mesa. Fui criando técnica, aprendendo a me posicionar e daí para o profissional foi um passo. Comecei a participar de torneios e cheguei a figurar no ranking paulista, em terceiro lugar no profissional feminino.” No Brasil não há incentivo para o esporte e ainda não dá para levá-lo como profissão. No caso de Meire, ela teve de parar de jogar profissionalmente. “Mas sempre que posso jogo e com isso mantenho a técnica”.

E sinuca é isso: não existe força e nem dom. Exige técnica e postura. Infelizmente, o esporte ainda é tido como masculino. Quando uma mulher joga bem sinuca, as pessoas até estranham. No entanto, a sinuca está caindo no gosto das mulheres. Elas estão vendo que não precisam mais assistir aos homens jogarem. Estão vendo que podem aprender. No ranking há três tipos de categoria: a ouro, a prata e a bronze. A ouro e a prata são para profissionais. Já a bronze pode ser para aprendizes que querem competir.

Mas aí existem vários tipos de jogo de bilhar. Primeiro são identificadas como integrantes dos “jogos do bilhar” todas as modalidades que usam “tacos e bolas sobre mesas de jogo”, respeitando regras e normas com diversas particularidades semelhantes. Além da tradicional brincadeira de bar, que são as bolas pares e ímpares, há também a sinuca profissional, com sete bolas com valor sequencial, entre tantos outros jogos. Mas o que parece estar fazendo moda é o jogo americano Nine Ball (Bola 9), de regra fácil, na qual mais vale a sorte que a técnica. A versão usa uma bola branca e nove coloridas numeradas que os jogadores devem encaçapar na sequência crescente, com vitória daquele que converter a bola 9. O jogo é dinâmico e rápido; o jogador que converte a bola 9 é o vencedor, mesmo que o seu oponente tenha encaçapado todas as outras oito bolas, ainda que em única sequência de tacadas. A bola da vez pode ser usada para mandar a 9 para a caçapa. Meire conta alguns aventuras e desventuras num jogo Nine Ball.

“Eu já perdi uma passagem para a França assim. É um jogo de sorte. Eu estava bem, mas minha adversária matou o nove primeiro e me eliminou”, conta. Mas também viveu seus momentos de alegria: “Já tive o prazer de jogar com o Rui Chapéu [considerado o melhor jogador brasileiro de sinuca] e, por um acaso, ganhei as duas, mas estávamos jogando o Nine Ball. Eu fiquei com vergonha. Não jogo nem um sexto do que ele. O homem joga demais e mesmo assim eu ganhei. Isso quer dizer que o jogo não ajuda. Não é técnica, é sorte”, lembra Meire. A empresária conta que quem a incentivou para entrar no profissional foi Silvia Taioli, instrutora e árbitra de sinuca, atual campeã brasileira, três vezes campeã paulista, diretora do departamento feminino da Federação Paulista de Sinuca e Bilhar, além de fabricante de mesas para sinuca.

“Foi ela que me incentivou e que me ensinou as regras. Acho isso muito lindo. O trabalho dela deu certo”, diz Meire, que hoje sonha em abrir casa de sinuca profissional em Rio Preto. “Qualquer um poderá jogar, mas ela vai ter uma mesa correta com uma regulagem certa. Isso porque, assim como eu, existem várias pessoas que gostam, mas não existe aqui na cidade nenhum lugar assim.”

No caminho certo
“As regras eu sei, as batidas eu sei.” Tem gente que diz isso, mas pode não estar perfeito no jogo, diz Meire. “Isso é saber o caminho”, afirma. Palavra de jogadora: “Passava isso e via que os alunos pegavam.

Na verdade não é muito difícil. Se você tem posicionamento de corpo, de mão e de mira, 50% já está valendo. É um esporte que necessita de algumas habilidades para se desenvolver. O dom é dom. Às vezes as pessoas traçam uma mira, enxergam um ângulo. Mas dá para conseguir tudo isso com treino. Isso que é legal. A sinuca é mais treino e menos dom.”

12/08/06
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Fonte: Bom dia Rio Preto